Nos últimos tempos muito se tem falado de felicidade, não só porque na verdade todos nós procuramos ser felizes, mas porque vários ramos científicos, como a Psicologia Positiva e as Neurociências, se têm debruçado sobre este tema.

Mais especificamente foi criado o Happiness Research Institute que se dedica a estudar o motivo pelo qual umas sociedades são mais felizes do que outras. Esta entidade surgiu com uma forma de tornar o bem-estar subjetivo (felicidade) num aspeto relevante a ter em conta pelos chefes de estado. Pois, cada vez mais países estão preocupados em criar medidas de sucesso não só em relação ao crescimento económico, mas também em relação à qualidade de vida dos seus povos.

Meik Wiking é CEO do Happiness Reasearch Institute e escreveu Hygge (pronuncia-se huga), um livro sobre os segredos para apreciar os bons prazeres da vida segundo as tradições Dinamarquesas.

Neste livro o autor descreve vários aspetos considerados chave para a felicidade deste povo, como por exemplo a luz e a importância da luminosidade, que não se prende apenas com velas e com a sua baixa intensidade. Os próprios candeeiros devem de proporcionar uma iluminação hyggelig onde a regra é “quando mais baixa for a temperatura da lâmpada mais hygge”.

Um outro aspeto abordado é o convívio. Estar com outras pessoas é uma parte fulcral do Hygge, o que vai de encontro aos resultados obtidos no Relatório sobre Felicidade Mundial pedido pelas Nações Unidas, onde se concluiu que

“embora as necessidades básicas sejam indispensáveis à felicidade, uma vez cumpridas essas condições, a felicidade varia mais com a qualidade das relações humanas do que com os rendimentos.”

Seguem-se hábitos alimentares, de vestir, de estar em casa e de viver épocas festivas, como o Natal. No fundo, Hygge reflete um conceito dinamarquês, que diz respeito à forma como este povo vive o seu dia-a-dia.

Numa entrevista que deu a uma revista portuguesa, Meik refere que Hygge

“resume-se à ideia de fazer o bem a nós e aos outros, sem cobranças. O mundo moderno exige-nos demasiado que sejamos saudáveis e produtivos, e essa pressão muitas vezes faz-nos mal porque não nos deixa ter prazer pelo prazer.”

É exatamente aqui que considero estar o segredo da felicidade, não só para os Dinamarqueses, mas também para os Portugueses. Temos um clima muito diferente, onde retirando os poucos dias chuvosos de Inverno, carateristicamente fuscos e frios, nos quais apetece aquecer os pés numa boa lareira, enquanto lemos um livro à meia luz acompanhado de um chá de ervas, temos por norma longos dias, com muita luz e sol sobre colinas verdejantes ou um mar azul celeste. Ora isto não nos permite aplicar literalmente todos os hábitos Hygge. Contudo, podemos olhar para as condições que temos como verdadeiras oportunidades de bem-estar.

– Porque não apreciar o fantástico nascer do sol que temos todos os dias junto a um riacho, um rio ou até por entre as árvores dos imensos espaços verdes, florestas e matas que temos?

– Porque não apreciar a liberdade que o cimo de uma montanha como a Serra da Estrela ou o Pico nos proporciona?

– Porque não apreciar os finais de tarde nas maravilhosas esplanadas à beira mar que temos em 943km de costa em Portugal continental, 667km nos Açores, 250 km na Madeira?

– Porque não apreciar a tranquilidade dos dourados campos alentejanos?

– Porque não apreciar o relaxamento que as frescas cascatas do Gerês nos proporcionam em pleno Verão?

– Porque não apreciar o profundo relaxamento que as termas naturais do centro do país nos proporcionam?

– E, porque não fazer tudo isto com o característico convívio que os Portugueses tão bem sabem criar, acompanhado pela sua maravilhosa gastronomia tão característica de região para região? Porque não?

Se combinarmos os princípios Hygge ao que de melhor Portugal nos proporciona também nós podemos criar hábitos de muita felicidade e bem-estar. Por isso, à Dinamarquesa ou à Portuguesa, que sejamos todos felizes!

Escrito a 02 de Junho de 2017 

Liliana Patrício
Founder, Happiness Researcher & Trainer, Expert em Felicidade Corporativa e Salário Emocional